Dia Internacional da Mulher CIMA

Dia Internacional da Mulher

Hoje celebra-se mais um Dia Internacional da Mulher. O CIMA não quis deixar passar em vão esta data, destacando o excelente trabalho desenvolvido diariamente pelas nossas investigadoras. Assim, o CIMA apresenta uma mensagem de uma jovem estudante da Escola Secundária de São Brás, Joana Monteiro, que partilhou este seu texto para todas as mulheres da ciência dos dias de hoje.

Neste dia, reconhece-se a importância e o contributo da mulher na sociedade e são, também, lembradas as conquistas das mulheres. A origem deste dia remete para a luta das mulheres, que trabalhavam em fábricas, na exigência do reconhecimento dos seus direitos e em melhores condições de trabalho. Apesar deste dia ser comemorado desde o início do século XX, e apesar do reconhecimento e da valorização da mulher terem evoluído positivamente desde então, continuam a subsistir desigualdades. Na Ciência e na Investigação é, também, importante que este esforço, para que a mulher seja devidamente reconhecida, seja realizado.


Ao longo dos séculos, as mulheres que desenvolviam as suas atividades na área da Ciência, da Tecnologia, Engenharia e Matemática, tiveram de ser persistentes para alcançarem os seus sonhos e, ainda que o tenham conseguido, permaneceram quase invisíveis. Em Portugal, temos o exemplo de Branca Edmée Marques, nascida a 1899, em Lisboa. Licenciada em Ciências Físico-Químicas, em 1931, partiu para França para prosseguir os seus estudos, o que se revelou difícil, pois as mulheres, naquela época, não podiam sair do país sem a autorização dos maridos. E, para além da autorização do marido, Branca teve, também, de se fazer acompanhar de sua mãe. Em Paris, Branca estudou Física Nuclear, desenvolvendo a sua investigação sob a orientação de Marie Curie. Depois de ter concluído o seu doutoramento, regressou a Portugal e fundou e dirigiu, na Faculdade de Ciências de Lisboa, o Laboratório de Radioquímica. Aos 65 anos, tornou-se a primeira mulher professora catedrática de química, em Portugal, mas teve de esperar 12 anos para ver concretizada a sua candidatura. Branca foi um exemplo de coragem, de superação da desigualdade, e uma inspiração para as cientistas portuguesas.


Apesar dos avanços ocorridos após a revolução do 25 de Abril, constata-se, ainda hoje, que a sociedade portuguesa persiste em atribuir papéis sociais destintos aos dois géneros, secundários à mulher, contribuindo, assim, para a perpetuação dos estereótipos de género, limitando a livre expressão dos talentos de mulheres e homens. Ao longo do seu percurso escolar, raparigas e rapazes são condicionados nas suas escolhas, com impacto nos seus percursos académicos.
Mundialmente, os indicadores mostram que existe um maior número de rapazes em áreas de estudo das Ciências, Tecnologias, Engenharia e Matemática do que raparigas. Deste modo, continua a assistir-se a uma sociedade guiada por estereótipos, que pode estar a fazer com que mulheres ocupem áreas profissionais em que não são tão reconhecidas, e com as quais podem até identificar-se menos.


A realidade mostra que meninas e mulheres evitam estudos relacionados com áreas técnicas e científicas, porque, quando são mais novas, não têm tanto contacto e experiência com essas áreas, sendo a política educacional, o contexto cultural, os esteriótipos e a carência de modelos a seguir, fatores determinantes nessas escolhas.
Mas, ainda que, corajosamente, se decidam por enveredar por essas áreas, as suas dificuldades não terminam aí. Prolongam-se nas dificuldades que encontram para progredir no local de trabalho, na disparidade salarial que encontram, nas dificuldades que enfrentam para conseguir um equilíbrio entre a vida profissional e pessoal, nas dificuldades que têm de ultrapassar para dar resposta às obrigações familiares, nos obstáculos à maternidade. O isolamento e a exclusão, o sentimento de pertença a uma minoria, agravam as dificuldades sentidas.


Que o dia de hoje, pelo seu simbolismo, possa contribuir para a promoção de uma verdadeira igualdade entre mulheres e homens, e a ambos permita experimentar todas as possiblidades que a realidade oferece.
Que o dia de hoje sirva também para que recordemos o contributo que mulheres como Branca Marques, deram a esta causa.
Que o seu exemplo inspire e motive mulheres em todo o mundo a enfrentar os seus problemas, a encontrar as suas respostas, e a prosseguir os seus objetivos com determinação.

Joana Monteiro

Entrevista da Professora Doutora Maria João Bebianno, Diretora do CIMA, à RTP, no programa "No Tempo das Dálias".

https://www.rtp.pt/play/p5384/e450157/no-tempo-das-dalias

O CIMA é financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT) através da referência UIDP/00350/2020, com sede no Campus Universitário de Gambelas, Edifício 7,  8005-139 FARO PORTUGAL. Tel: 351 289 244 434, 351 289 800 100; E-mail: cima@ualg.pt (+ info)
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